Quarta-feira, 4 de Abril de 2007
Ontem renasci

Abateram-me, cortaram-me deitaram-me ao chão, morri. Perguntariam vocês, mas porquê?  Era preciso construir um novo aeroporto e eu estava no caminho, afinal voar é mais importante que ter os pés bem assentes no chão e eu era apenas uma arvore, um velho carvalho, e dos velhos ninguém se lembra, já ninguém se importa.

Rasgaram-me dividiram o meu corpo em mil bocados, séculos que a mãe natureza demorou a criar deitados ao chão em segundos, despedaçado em minutos.

Ontem eu nasci, ou antes, renasci. Não na forma da velha arvore, mas neste momento, enquanto te escrevo, posso ser a cadeira onde te sentas, sim consigo sentir-te, e até quem sabe atirar ao chão. Ou a tua cama,  a mesa da tua cozinha, as portas da tua casa, ou esse quadro artisticamente trabalhado. Mas vou partilhar um segredo contigo. Dói-te a cabeça não dói? Sim eu sei posso dizer que em parte eu sou a causa dessa dor. Sim sou. Não acreditas? Ontem estiveste junto a mim, sim estiveste. Estavas acompanhado de uns amigos. Trouxeram-me em braços, sou pesado não sou? Então se me tentassem levantar agora já não o conseguiriam fazer. Se engordei? Não,  acho que não. Estou cheio, como vocês humanos dizem, até ao pescoço. Então já sabes quem sou? Estou cá em baixo na cave, na tua cave. Estou sim!

Ontem trouxeste-me para aqui e encheste-me de néctar e ele, associado comigo, sim somos cúmplices, somos a causa da tua dor de cabeça. Então já adivinhaste? Não? Bem tens uma boa desculpa afinal mal consegues pensar. Ai o que nos rimos enquanto me tornavam mais leve. E as vossas conversas, primeiro cheias de filosofia e sabedoria, mas com o avançar  da noite começaram a baixar o nível e a subir de interesse, a tornarem-se mais brejeiras, mais engraçadas, às tantas quando demos por isso já vocês estavam a cantar. Deixa que te diga tens uma bela voz. Uns bons litros mais leve e lá chegou a vez do desabafo, parecia que estávamos num confessionário, fazia lembrar as tardes que o padre da freguesia costumava passar debaixo da minha sombra. Dizia ele que falava com deus, mas eu acho que ele falava mas era comigo.

Vocês saíram a cambalear até eu confesso, que não estou ainda habituado àquele néctar com sabor a fruta madura encorpado com um  aroma divinal, senti-me nas nuvens, senti-me uma arvore outra vez. Então já descobriste quem sou? Sim é verdade. Trouxeste-me e eu vim para ficar e como já deves ter calculado vais ter de me aturar.

publicado por Passo às 13:35
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2 comentários:
De PrincesaVirtual a 10 de Abril de 2007 às 13:39
Pois...parece que é verdade...que vamos ter mesmo que te aturar :D

Que seja muito bem vindo Sr BARRIL (ou será BARIL???)

Beijosssss :)
De Cassiopeia a 13 de Abril de 2007 às 15:07
Fico feliz que tenhas um blog teu homy :)
So tenho uma critica.... n gosto dos blogs no sapo....
por vezes n deixam comentar....
Mas olha um beijo e um carinho... e boa sorte

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