Terça-feira, 10 de Abril de 2007
Saudades

Olá, então como estás? Essa páscoa como foi, tive saudades tuas não te vi cá por baixo, será que já me esqueceste? Não tens saudades minhas? Olha que eu não sou como aquele senhor que ganhou aquele concurso na televisão, sabes aquele que deixou muitas, pelos vistos, saudades cá pelo burgo. Sim aquele senhor que assim como eu dava muita dor de cabeça, embora eu alegre a alma já ele moía o corpo e a alma também. Sim aquele do tempo da outra senhora, ou já não te lembras desse tempo também? Ainda me recordo quando era miúdo e o meu avô, sabes aquele que foi preso pela PIDE, morria de saudades daqueles tempos em que se podia andar livremente na rua a opinar. Velhos tempos aqueles os meus de meninice onde havia muita coisa boa, mas muita assim menos boa, mas eu era só um miúdo que percebia eu disso. Para mim bastava um pião e um cordel e já ficava satisfeito. Pelos vistos todas as pessoas, ou quase todas, naquela altura se contentavam com pouco, bastava deus a família e claro o futebol. Sabes isso fez-me lembrar um poema que é desses tempos, queres que o leia?? Agora??? Seja, como dizem certos saudosistas desses tempos, seja feita a vossa vontade!!

 

Retirado de um mail que alguém me mandou.

A votação vale o que vale...
Temos de viver com o país que temos...
A memória é curta????

Salazar ganhou...


Se este país
dito de poetas
lesse poesia
outro galo cantaria


"Poema sobre Salazar"


António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
e sob o céu
Fica só azar, é natural.

Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.

Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé:
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.


Fernando Pessoa

 

 

 

publicado por Passo às 13:58
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1 comentário:
De Anónimo a 10 de Abril de 2007 às 14:35
Por acaso tive saudades tuas.
lllol
beijo

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