Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Mosquito

Grande farra este fim de semana. Isso é que foi e pensava eu que só os bebés é que gatinhavam. Aqueles teus amigos que esponjas, saíram de rastos. Gostei dos elogios que me fizeram que sou forte, espirituoso, encorpado. Especialmente daquele teu amigo engenheiro, ele é o quê enólogo?  que é isso algum curso de engenharia moderna? Ahhhhh um especialista em vinhos, muito bem se ele tivesse falado mal do meu néctar dizia já que tinha tirado o curso na Independente e que o pai dele era algum vinicultor daqueles que só usa pozinhos e água para enriquecer à conta dos incautos que bebem vinho VQPRD. Que tinha usado o dinheiro para lhe comprar um curso e continuar a perpétuar as façanhas do pai. Claro que não tenho nada contra as universidades particulares que apenas dão cursos em que não há grandes necessidades técnicas e o único objectivo é receberem as mensalidades dos alunos. Para já ainda só foram duas a serem chateadas, a Moderna e a Independente, pensei eu que só se lavavam uvas, afinal também se lava dinheiro. Ao que o mundo chegou, realmente a tecnologia está cada vez melhor, vê só tu que afinal nem é preciso ir às aulas para se aprender. É assim como algum vinho não precisa de uvas para o ser, basta ter o rótulo e já está, vinho de região demarcada. Anda mesmo meio mundo a viver à conta de outro meio, bem quer dizer meio não, para ai cerca de 10% a viver à conta dos outros 90% porque isto de sermos uma aldeia global não se encaixa em tudo.

Foi muito gira e divertida a vossa festa, que rico de grupo de amigos tu tens, bem dispostos e animados, mas para a próxima bebam menos que a GNR e a PSP andam por aí a chatear a malta, parece que receberam directivas do comando que diziam, vamos a apertar o cinto que o país precisa de dinheiro.

Ah dormiram cá esta noite!! Fizeram eles muito bem, então aquilo que eu ouvi esta noite foram roncos pensava eu que era algum mosquito, não preguei olho a noite toda. 

 

 

 

Recebido por mail J

Noite de Amor - POEMA


Satânico é meu pensamento a teu respeito
E ardente é meu desejo de apertar-te em minhas mãos, Numa sede de
vingança incontestável pelo que fizeste ontem. A noite era quente
e calma, e eu estava em minha cama quando, sorrateiramente, te
aproximaste. Encostaste teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem
o mínimo pudor. Percebendo minha aparente indiferença,
aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos Até nos
mínimos lugares. Eu adormeci. Hoje, quando acordei, procurei-te
numa ânsia ardente, Mas em vão. Deixaste no meu corpo e no lençol
provas Irrefutáveis do que
entre nós ocorreu durante a noite.

Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama, Te esperar.
Quando chegares, quero agarrar-te com avidez.
Quero apertar-te com todas as forças de minhas mãos.
Não haverá parte do teu corpo em que meus dedos não passarão.
Só descansarei quando vir sair sangue quente do teu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti... 

Mosquito filho da puta.....!!!

publicado por Passo às 14:26
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Terça-feira, 10 de Abril de 2007
Saudades

Olá, então como estás? Essa páscoa como foi, tive saudades tuas não te vi cá por baixo, será que já me esqueceste? Não tens saudades minhas? Olha que eu não sou como aquele senhor que ganhou aquele concurso na televisão, sabes aquele que deixou muitas, pelos vistos, saudades cá pelo burgo. Sim aquele senhor que assim como eu dava muita dor de cabeça, embora eu alegre a alma já ele moía o corpo e a alma também. Sim aquele do tempo da outra senhora, ou já não te lembras desse tempo também? Ainda me recordo quando era miúdo e o meu avô, sabes aquele que foi preso pela PIDE, morria de saudades daqueles tempos em que se podia andar livremente na rua a opinar. Velhos tempos aqueles os meus de meninice onde havia muita coisa boa, mas muita assim menos boa, mas eu era só um miúdo que percebia eu disso. Para mim bastava um pião e um cordel e já ficava satisfeito. Pelos vistos todas as pessoas, ou quase todas, naquela altura se contentavam com pouco, bastava deus a família e claro o futebol. Sabes isso fez-me lembrar um poema que é desses tempos, queres que o leia?? Agora??? Seja, como dizem certos saudosistas desses tempos, seja feita a vossa vontade!!

 

Retirado de um mail que alguém me mandou.

A votação vale o que vale...
Temos de viver com o país que temos...
A memória é curta????

Salazar ganhou...


Se este país
dito de poetas
lesse poesia
outro galo cantaria


"Poema sobre Salazar"


António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
e sob o céu
Fica só azar, é natural.

Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.

Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé:
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.


Fernando Pessoa

 

 

 

publicado por Passo às 13:58
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007
Ontem renasci

Abateram-me, cortaram-me deitaram-me ao chão, morri. Perguntariam vocês, mas porquê?  Era preciso construir um novo aeroporto e eu estava no caminho, afinal voar é mais importante que ter os pés bem assentes no chão e eu era apenas uma arvore, um velho carvalho, e dos velhos ninguém se lembra, já ninguém se importa.

Rasgaram-me dividiram o meu corpo em mil bocados, séculos que a mãe natureza demorou a criar deitados ao chão em segundos, despedaçado em minutos.

Ontem eu nasci, ou antes, renasci. Não na forma da velha arvore, mas neste momento, enquanto te escrevo, posso ser a cadeira onde te sentas, sim consigo sentir-te, e até quem sabe atirar ao chão. Ou a tua cama,  a mesa da tua cozinha, as portas da tua casa, ou esse quadro artisticamente trabalhado. Mas vou partilhar um segredo contigo. Dói-te a cabeça não dói? Sim eu sei posso dizer que em parte eu sou a causa dessa dor. Sim sou. Não acreditas? Ontem estiveste junto a mim, sim estiveste. Estavas acompanhado de uns amigos. Trouxeram-me em braços, sou pesado não sou? Então se me tentassem levantar agora já não o conseguiriam fazer. Se engordei? Não,  acho que não. Estou cheio, como vocês humanos dizem, até ao pescoço. Então já sabes quem sou? Estou cá em baixo na cave, na tua cave. Estou sim!

Ontem trouxeste-me para aqui e encheste-me de néctar e ele, associado comigo, sim somos cúmplices, somos a causa da tua dor de cabeça. Então já adivinhaste? Não? Bem tens uma boa desculpa afinal mal consegues pensar. Ai o que nos rimos enquanto me tornavam mais leve. E as vossas conversas, primeiro cheias de filosofia e sabedoria, mas com o avançar  da noite começaram a baixar o nível e a subir de interesse, a tornarem-se mais brejeiras, mais engraçadas, às tantas quando demos por isso já vocês estavam a cantar. Deixa que te diga tens uma bela voz. Uns bons litros mais leve e lá chegou a vez do desabafo, parecia que estávamos num confessionário, fazia lembrar as tardes que o padre da freguesia costumava passar debaixo da minha sombra. Dizia ele que falava com deus, mas eu acho que ele falava mas era comigo.

Vocês saíram a cambalear até eu confesso, que não estou ainda habituado àquele néctar com sabor a fruta madura encorpado com um  aroma divinal, senti-me nas nuvens, senti-me uma arvore outra vez. Então já descobriste quem sou? Sim é verdade. Trouxeste-me e eu vim para ficar e como já deves ter calculado vais ter de me aturar.

publicado por Passo às 13:35
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